
Marcos 15.30 "salva-te a ti mesmo, descendo da cruz."
Uma das coisas mais fantásticas da vida é o amor, ser amado e amar é dádiva, presente grande do céu. Muitas pessoas vivem tristes e sem entender muito o sentido da vida, a razão da existência. Andam sem saber para onde está indo, sentem-se pouco amadas, pouco valorizadas. Acredito que muitos conflitos da alma humana residem exatamente nesse fator.
Olhando para a Palavra Sagrada vejo inúmeras demonstrações de amor, a cruz é a maior delas, foi um ato que só pode ser justificado pelo amor, nada mais. A cruz me constrange muito, ela me cala, me deixa reflexiva e perplexa. Nela as minhas razões e argumentos construídos ao longo da vida se tornam menos que nada, ela tem o poder de me impactar.
Um dia em Jerusalém, olhando para o monte da crucificação, pensei em muitas coisas, uma delas foi a exposição física que Jesus enfrentou, do monte é possível ter uma visão de boa parte da cidade, mas antes de estar no monte Ele fez um trajeto pelas ruas estreitas de cidade antiga, quando percorri essas ruas imaginei as pessoas saindo de suas casas para ver o “espetáculo” , creio que muitas acompanharam Jesus até o Golgóta. Lá imagino muitas pessoas vendo e ouvindo as batidas do instrumento que foi utilizado para gravar os pés e a mãos de Jesus, viram seu rosto sangrando por causa da coroa de espinhos, viram o momento exato que a cruz foi levantada, observaram cada vez que o Messias respirava, pois Ele tinha dificuldades em respirar por causa da posição em que estava.
Viram quando ofereceram vinagre, quando furam seu corpo com a lança, quando Ele entregou Seu Espírito ao Pai. Certamente para muitas daquelas pessoas foi apenas um dia diferente, viram apenas mais um homem morrer ao lado de dois ladrões, quando chegaram as suas casas ainda narraram para os amigos e parentes que não puderam assistir o “espetáculo”, para muitos foi como assistir um filme, sem contar os que ainda insultavam, zombavam de Jesus.
Quando vi o monte pela primeira vez, à noite não pude dormir logo, meu espírito se perturbava dentro de mim, Jerusalém estava vivendo dias de festa, e eu estava lá justamente por causa da festa dos tabernáculos, mas nessa noite eu não fui à festa, sentia necessidade de ficar só, de falar com Deus e de entender com mais profundidade a cruz, a noite era muito fria e me deitei envolvida numa montanha de cobertores, logo que minha companheira de quarto saiu, apaguei as luzes e comecei a orar, meu coração foi cheio de um sentimento forte, era como se eu estivesse vendo todas as cenas, era algo muito vivo, muito real, eu nunca havia experimentando algo semelhante, não sei explicar exatamente o que me aconteceu naquela noite, o quarto de hotel se transformou no monte da crucificação e por alguns segundos eu vivi um constrangimento profundo, a vergonha da cruz invadiu meu ser.
Estou convicta de que a cruz passou a ser mais que uma história para mim, meus olhos foram abertos para um “espetáculo” de amor! Sim de amor! Esse amor me tira lágrimas dos olhos, enche meu coração, transborda minha alma, sacia completamente o meu ser, me completa.
Olhando para a cruz, vejo um Deus que me ama ilimitadamente, vejo um olhar de amor mesmo em meio a dor, vejo um Deus que escreveu uma nova história para mim, me deu uma nova direção, em suas pegadas de sangue Ele construiu um novo caminho por onde eu posso andar em segurança.
Obrigada meu Rei por não ter descido da cruz. Te amo desesperadamente meu Senhor. O teu amor me é suficiente, me basta!
No amor da cruz,
Kênia de Freitas.